"À Conversa com...DIOGO e RITA VIEIRA"
A história do Desporto Motorizado Nacional raras vezes nos apresenta Irmãos a competir na mesma modalidade e, muito menos quando eles são de sexos opostos. No entanto, em Vila Nova de Gaia existe uma dessas excepções, graças aos ‘manos’ DIOGO e RITA VIEIRA, uma das principais duplas dos campeonatos de motos na vertente Trial.
Os jovens Vieira são os convidados deste “À Conversa com…”, após uma época recheada de sucessos, na qual o DIOGO se sagrou Campeão de Trial Indoor e Vice-Campeão de Trial Outdoor, enquanto a RITA assegurava o Vice-Campeonato de Trial Outdoor na Categoria ‘Consagrados’.

ALTAS ROTAÇÕES _ Antes de falarmos sobre o teu maior sucesso, gostaria que nos dissesses o ‘porquê’ e ‘quando’ decidiste enveredar por esta modalidade, a qual não parece cativadora de muitos praticantes.
DIOGO VIEIRA _ Eu comecei a andar de mota muito cedo, até porque o meu Pai também foi praticante. Aos 4 anos ele ofereceu-me um PW50 e até aos dez anos andei sempre no Motocross, até que um dia, o Osvaldo Garcia (a pessoa que me impulsionou em direcção à modalidade), ligou ao meu Pai a perguntar se eu não queria correr no Trial, já que a Comissão de Trial da Federação me colocava à disposição uma moto, todo o equipamento necessário e inclusive, colocando-se o Osvaldo ao meu dispor para me treinar. A partir dessa altura abracei a modalidade, na qual tenho tido todo o apoio da Federação ao longo dos anos, e não faço tensão de sair.
ALTAS ROTAÇÕES _ E logo nos primeiros anos conquistas três títulos seguidos…mas recheados de histórias!
DIOGO VIEIRA _ No ano em que entrei só disputamos uma prova, a única reservada à categoria Infantis. Foi uma prova muito má, em virtude da chuva que caía, o que tornou o piso bastante enlameado. O Osvaldo foi obrigado a empurrar a minha moto ao longo da maior parte do percurso, pois era impossível fazer a moto andar. Seja como for deu para chegar ao título, até porque…eu era o único concorrente nos Infantis! No ano seguinte o meu Pai resolveu fabricar-me uma moto, na garagem de nossa casa. Fez um quadro e equipou-o com um motor de uma Casal, com a qual venci o campeonato sem qualquer problema. No último ano em que competi nos Infantis, a Federação cedeu-me uma GasGas 50 e não tive qualquer problema em voltar a conquistar o título.
ALTAS ROTAÇÕES _ Após a passagem pelos Iniciados, tens vindo a subir de ‘escalão’. Como tem sido esse percurso até chegar à Categoria Principal?
DIOGO VIEIRA _ Tem sido um trajecto positivo, apesar de nos primeiros anos ter continuado a ter pouca concorrência. A dada altura o Pedro Sousa entrou na modalidade (Campeão de Ciclocross) e isso foi marcante para a minha evolução como piloto. Ele trazia um tipo de traquejo que eu não tinha, e isso fez com que eu começasse a treinar mais, de modo a poder bater-me com ele pela vitória. Nos últimos anos é isso que se tem verificado e este ano (2011) já cheguei a um nível que me permitiu lutar mais fortemente pela vitória final.
ALTAS ROTAÇÕES _ A Categoria ‘Elite’ é o topo da modalidade em ambos os campeonatos. Em qual das duas distintas formas de competir de sentes mais à vontade, no Outdoor ou no Indoor?
DIOGO VIEIRA _ Eu inicialmente pensava que estava mais vocacionado para o Outdoor. O Pedro ter mais poder de equilíbrio sobre a moto do que eu, factor bastante mais importante no Trial Indoor do que no Outdoor, disciplina onde temos mais facilidade em nos apoiarmos nos elementos que nos rodeiam (troncos, raízes, pedras, etc.), mas com a passagem dos anos tenho tido uma maior evolução nos recintos ‘fechados’, o que me permitiu ganhar uma prova em 2010 e duas em 2011.
ALTAS ROTAÇÕES _ Curiosamente consegues perder e ganhar um título em 2011?
DIOGO VIEIRA _ Como não foi possível terminar o Campeonato de 2010…em 2010, tivemos a jornada final já no início de 2011. Nesse dia não consegui dar o melhor de mim e, apesar de termos chegado a Crestuma empatados no comando do campeonato, não me foi possível chegar ao título por…dois ‘magros’ pontos! Depois veio o verdadeiro campeonato de 2011 e, após as duas vitórias alcançadas, lá alcancei o meu primeiro título no topo da modalidade.
ALTAS ROTAÇÕES _ Para além das provas Nacionais, também tens tido algumas participações Internacionais. O que destacas mais dessas experiências?
DIOGO VIEIRA _ A evolução! Durante dois dias treinamos com pilotos mais experientes que nós, o que nos permite ver a forma como abordam e transpõem as ‘zonas’ de prova, por sinal bem mais difíceis do que aquelas que temos cá em Portugal. Depois temos que ‘recolher’ toda essa informação e tentar dar o nosso melhor nas provas, o que nos vai permitindo ser cada vez melhores.
ALTAS ROTAÇÕES _ Será que um dia os nossos pilotos vão lutar de igual para igual com os do Europeu e do Mundial, principalmente com os Espanhóis?
DIOGO VIEIRA _ Penso que sim. No entanto, eles são pilotos profissionais, enquanto nós somos apenas amadores. Nós não temos apoios, o que impede uma maior dedicação à modalidade, enquanto eles são apoiados desde novos, o que lhes permite uma dedicação a 100%, com boas motos e tudo do melhor, seja para competir seja para treinar.
ALTAS ROTAÇÕES _ O problema ‘apoios’ é, a partir de agora, ainda mais preocupante para ti, já que ao completares 18 anos deixaste de poder utilizar uma moto da Federação, tendo agora que fazer avançar o teu projecto de modo independente.
DIOGO VIEIRA _ É verdade! A partir de agora tenho que ir à procura de patrocinadores, para poder adquirir as minhas próprias motos, de modo a poder disputar os campeonatos Nacionais e, tal como pretendo, efectuar o Campeonato Europeu, no qual já me poderei bater com os outros pilotos das 125cc, e, gostaria de estar presente nas provas do Campeonato do Mundo.
ALTAS ROTAÇÕES _ Dentro do Trial existe mais do que uma categoria de motos?
DIOGO VIEIRA _ Os Iniciados correm com as 50cc, depois evolui-se para as 70cc, já com embraiagem e velocidades, e depois vem a 125cc para os maiores. Para além destas existe ainda as 280/300cc, as quais competem no Europeu e no Mundial, e que são as mais difíceis de pilotar.
ALTAS ROTAÇÕES _ O teu futuro passa por aí, ou achas que ainda estás um bocado longe?
DIOGO VIEIRA _ Este ano vou continuar com as 125cc, até porque ainda não me sinto capaz de competir nas ‘zonas’ por onde andam as motos mais potentes. Quero evoluir nos resultados das provas Internacionais, principalmente no Mundial, e depois para o ano já vemos se me sinto capaz de dar o “salto” para a classe mais forte.
ALTAS ROTAÇÕES _ Uma curiosidade existente na modalidade, é o facto de vocês terem sempre uma pessoa para vos ajudar na abordagem aos obstáculos da prova, ou ao próprio percurso da prova. No teu caso particular, o teu «mochileiro» é o teu Pai. Isso dá-te maior confiança ou…
DIOGO VIEIRA _ Sim, o meu «mochileiro» nas provas Nacionais é o meu Pai, e nas provas Internacionais é o Osvaldo Garcia, porque ele não gosta de ir a essas provas. Nas provas em que sou ‘apoiado’ pelo meu Pai, regra geral, também funciona tudo bem, apesar dele às vezes ralhar um pouco mais!
ALTAS ROTAÇÕES _ Apesar da pouca divulgação da modalidade, as vossas provas têm sempre muita gente a assistir e entusiasmadas com a vossa evolução ao longo dos percursos.
DIOGO VIEIRA _ A modalidade é espectacular, com ‘zonas’ difíceis de transpor, e, quando as provas são bem divulgadas, chegamos a ter alguns milhares de espectadores presentes, seja nas provas Outdoor, seja nas provas Indoor, como foi ainda agora o caso da prova realizada na Maia. Infelizmente até as revistas da especialidade, Motos, fazem pouca divulgação do Trial, mas julgo que estamos todos a trabalhar numa evolução positiva, de modo a colmatarmos essa lacuna.
ALTAS ROTAÇÕES _ Esta época atingiste um dos teus maiores objectivos, o título de Campeão. É o teu expoente máximo, ou esse está ainda reservado para o teu futuro na modalidade?
DIOGO VIEIRA _ Se tudo tivesse corrido pelo melhor, tinha alcançado os dois títulos, pois era esse o meu objectivo para este ano. Acabei por perder a última corrida na Outdoor e falhei o título, mas consegui compensar o ano com o título na Indoor. Este ano vou dar o meu melhor para chegar aos dois títulos Nacionais e, para alcançar os melhores resultados possíveis nas provas do Europeu e do Mundial.
ALTAS ROTAÇÕES _ Para além do teu envolvimento no Trial, existe também o facto curioso da tua irmã também ser praticante da modalidade. A que tipo de cuidados e atenção extra é que essa presença te obriga?
DIOGO VIEIRA _ Sempre que posso tento ajudá-la. Como o nosso Pai é o meu «mochileiro», eu sou muitas vezes o «mochileiro» dela, até porque muitas das ‘zonas’ a percorrer são comuns aos dois e essa atenção extra até acaba por ser algo benéfica para mim. Fora das provas, e como treinamos juntos, tento apoiá-la e incentivá-la o mais possível.
ALTAS ROTAÇÕES _ E o que acha o irmão, um pouco mais velho, da sua jovem aprendiz?
DIOGO VIEIRA _ Este ano a evolução não foi tão grande como em anos anteriores mas, estou convencido que ela este ano vai treinar mais e evoluir ainda mais, até porque ela tem jeito para o Trial.
ALTAS ROTAÇÕES _ É verdade o que o Diogo está a dizer. O que é que se passou este ano Rita?
RITA VIEIRA _ Também não é assim tanto como ele diz. Este ano não tive hipótese de ir à Taça das Nações e ao Mundial, em virtude de não haver mais nenhuma rapariga a competir ao mesmo nível que eu, e isso fez com que eu treinasse menos que em anos anteriores, o que me impediu de chegar ao título na categoria em que participei.
ALTAS ROTAÇÕES _ Mesmo assim ficas em segundo na Categoria Consagrados, na qual és a única a tentar bater os rapazes.
RITA VIEIRA _ Sim, e com a agravante de serem todos mais velhos do que eu. No entanto, encaro essa diferença de modo positivo, pois assim sou obrigada a evoluir mais depressa, até porque eles são todos mais fortes e mais resistentes do que eu, dois factores importantes na modalidade.
ALTAS ROTAÇÕES _ Modalidade onde tu és praticamente o único elemento feminino.
RITA VIEIRA _ Neste momento só estou eu e a Sofia. Por vezes ainda aparece outra rapariga (Leonor), mas não realiza todo o campeonato.
ALTAS ROTAÇÕES _ E como é que tu chegas ao Trial, foste porque o teu irmão já lá andava e porque o teu Pai também é um homem das motos, ou…
RITA VIEIRA _ Desde pequenina que comecei a andar nestas coisas. O meu irmão andava no Motocross e eu andava ao lado dele num side-car. Andávamos os dois de bicicleta…e foi assim que comecei a adquirir estes hábitos, e gosto. Por isso comecei a acompanhá-lo nas corridas.
ALTAS ROTAÇÕES _ Achas que o facto de seres mulher cria maiores dificuldade à prática desta modalidade?
RITA VIEIRA _ Pessoalmente acho que não! Sinto que os homens têm mais resistência e mais força, e sei que se eu treinar mais, quer na moto, quer em ginásio, sou capaz de chegar a esses níveis.
ALTAS ROTAÇÕES _ Desde que chegaste à modalidade, tens tido algumas épocas menos participativas mas, este ano já trabalhas-te um pouco mais e estiveste perto de chegar ao título. Achas que vais conseguir alcançar a vitória?
RITA VIEIRA _ Acho que sim, e quero! Este ano creio que já melhorei o meu nível competitivo mas, vou trabalhar no sentido de ser ainda melhor, de modo a poder lutar pela vitória dos ‘Consagrados’ em todas as provas, e chegar ao final do ano com o título. Seria estupendo!
ALTAS ROTAÇÕES _ Em 2012 vais ‘herdar’ a moto que era utilizada pelo teu irmão, o que poderá, de algum modo, facilitar um pouco as coisas.
RITA VIEIRA _ Espero bem que sim. Para além disso, este ano conto poder participar no Trial das Nações e estar presente na prova do campeonato do Mundo. O nível de competição é bem maior do que cá em Portugal, o que permite aprender mais e estar melhor preparada para o Nacional. Um aspecto curioso das provas Internacionais é que lá corro directamente na prova feminina, as quais, apesar de serem quase todas mais ‘velhas’ do que eu, permite que eu tenha uma outra percepção sobre o meu ritmo e a minha competitividade.
ALTAS ROTAÇÕES _ A Federação de Motociclismo de Portugal, através da Comissão de Trial, tem a fantástica política de cedência de algumas motos para incentivar a prática da modalidade. Perante esta situação, ainda não conseguiste cativar nenhuma amiga tua a experimentar este desporto?
RITA VIEIRA _ Não, Elas gostam muito de ver e apoiam-me, mas...nunca se mostraram interessadas. Eu até já ensinei algumas delas a andar de moto mas, para competir não é só preciso saber andar de moto, ou garantir o apoio da Comissão de Trial. No meu caso, tenho o meu Pai que é um apaixonado por motos, e o meu irmão que corre desde novo, o que me garante um forte apoio da família, sem esquecer a minha Mãe que está presente em todas as provas, situação que não se verifica na maior parte dos casos, o que poderá ser impeditivo da vinda de outras raparigas.
ALTAS ROTAÇÕES _ É fácil conciliar os estudos, e o namorado, com os treinos e corridas?
RITA VIEIRA _ A escola onde ando exige muitos trabalhos, principalmente muito trabalhos manuais, e durante a semana não me é possível treinar. No entanto, aos fins-de-semana e nas férias tento dar particular atenção aos treinos com a moto, para chegar minimamente em forma às corridas.
ALTAS ROTAÇÕES _ É tempo de dar por terminada esta ‘conversa’ convosco, pelo que, deixo ao vosso critério a escolha do último «tema».
DIOGO VIEIRA _ Quero aproveitar a oportunidade para efectuar dois agradecimentos especiais. Ao Osvaldo Garcia, o ‘Pai’ da modalidade em Portugal, que nos incentivou para a prática da modalidade e que nos tem dado enorme apoio ao longo dos anos. E, ao Rui Castro, Presidente da Comissão de Trial da FMP, pelo imprescindível apoio prestado e, sem o qual não nos teria sido possível a prática da modalidade.
É difícil encerrar o “À Conversa com…Diogo e Rita Vieira”, pilotos de Gaia a quem o Jornal AUDIÊNCIA / ALTAS ROTAÇÕES tem dado o apoio possível ao longo dos últimos anos mas, vamos mesmo terminar, desejando aos «Irmãos Vieira» a melhor das sortes na temporada que se avizinha!
Os jovens Vieira são os convidados deste “À Conversa com…”, após uma época recheada de sucessos, na qual o DIOGO se sagrou Campeão de Trial Indoor e Vice-Campeão de Trial Outdoor, enquanto a RITA assegurava o Vice-Campeonato de Trial Outdoor na Categoria ‘Consagrados’.

ALTAS ROTAÇÕES _ Antes de falarmos sobre o teu maior sucesso, gostaria que nos dissesses o ‘porquê’ e ‘quando’ decidiste enveredar por esta modalidade, a qual não parece cativadora de muitos praticantes.
DIOGO VIEIRA _ Eu comecei a andar de mota muito cedo, até porque o meu Pai também foi praticante. Aos 4 anos ele ofereceu-me um PW50 e até aos dez anos andei sempre no Motocross, até que um dia, o Osvaldo Garcia (a pessoa que me impulsionou em direcção à modalidade), ligou ao meu Pai a perguntar se eu não queria correr no Trial, já que a Comissão de Trial da Federação me colocava à disposição uma moto, todo o equipamento necessário e inclusive, colocando-se o Osvaldo ao meu dispor para me treinar. A partir dessa altura abracei a modalidade, na qual tenho tido todo o apoio da Federação ao longo dos anos, e não faço tensão de sair.
ALTAS ROTAÇÕES _ E logo nos primeiros anos conquistas três títulos seguidos…mas recheados de histórias!
DIOGO VIEIRA _ No ano em que entrei só disputamos uma prova, a única reservada à categoria Infantis. Foi uma prova muito má, em virtude da chuva que caía, o que tornou o piso bastante enlameado. O Osvaldo foi obrigado a empurrar a minha moto ao longo da maior parte do percurso, pois era impossível fazer a moto andar. Seja como for deu para chegar ao título, até porque…eu era o único concorrente nos Infantis! No ano seguinte o meu Pai resolveu fabricar-me uma moto, na garagem de nossa casa. Fez um quadro e equipou-o com um motor de uma Casal, com a qual venci o campeonato sem qualquer problema. No último ano em que competi nos Infantis, a Federação cedeu-me uma GasGas 50 e não tive qualquer problema em voltar a conquistar o título.
ALTAS ROTAÇÕES _ Após a passagem pelos Iniciados, tens vindo a subir de ‘escalão’. Como tem sido esse percurso até chegar à Categoria Principal?
DIOGO VIEIRA _ Tem sido um trajecto positivo, apesar de nos primeiros anos ter continuado a ter pouca concorrência. A dada altura o Pedro Sousa entrou na modalidade (Campeão de Ciclocross) e isso foi marcante para a minha evolução como piloto. Ele trazia um tipo de traquejo que eu não tinha, e isso fez com que eu começasse a treinar mais, de modo a poder bater-me com ele pela vitória. Nos últimos anos é isso que se tem verificado e este ano (2011) já cheguei a um nível que me permitiu lutar mais fortemente pela vitória final.
ALTAS ROTAÇÕES _ A Categoria ‘Elite’ é o topo da modalidade em ambos os campeonatos. Em qual das duas distintas formas de competir de sentes mais à vontade, no Outdoor ou no Indoor?
DIOGO VIEIRA _ Eu inicialmente pensava que estava mais vocacionado para o Outdoor. O Pedro ter mais poder de equilíbrio sobre a moto do que eu, factor bastante mais importante no Trial Indoor do que no Outdoor, disciplina onde temos mais facilidade em nos apoiarmos nos elementos que nos rodeiam (troncos, raízes, pedras, etc.), mas com a passagem dos anos tenho tido uma maior evolução nos recintos ‘fechados’, o que me permitiu ganhar uma prova em 2010 e duas em 2011.
ALTAS ROTAÇÕES _ Curiosamente consegues perder e ganhar um título em 2011?
DIOGO VIEIRA _ Como não foi possível terminar o Campeonato de 2010…em 2010, tivemos a jornada final já no início de 2011. Nesse dia não consegui dar o melhor de mim e, apesar de termos chegado a Crestuma empatados no comando do campeonato, não me foi possível chegar ao título por…dois ‘magros’ pontos! Depois veio o verdadeiro campeonato de 2011 e, após as duas vitórias alcançadas, lá alcancei o meu primeiro título no topo da modalidade.
ALTAS ROTAÇÕES _ Para além das provas Nacionais, também tens tido algumas participações Internacionais. O que destacas mais dessas experiências?
DIOGO VIEIRA _ A evolução! Durante dois dias treinamos com pilotos mais experientes que nós, o que nos permite ver a forma como abordam e transpõem as ‘zonas’ de prova, por sinal bem mais difíceis do que aquelas que temos cá em Portugal. Depois temos que ‘recolher’ toda essa informação e tentar dar o nosso melhor nas provas, o que nos vai permitindo ser cada vez melhores.
ALTAS ROTAÇÕES _ Será que um dia os nossos pilotos vão lutar de igual para igual com os do Europeu e do Mundial, principalmente com os Espanhóis?
DIOGO VIEIRA _ Penso que sim. No entanto, eles são pilotos profissionais, enquanto nós somos apenas amadores. Nós não temos apoios, o que impede uma maior dedicação à modalidade, enquanto eles são apoiados desde novos, o que lhes permite uma dedicação a 100%, com boas motos e tudo do melhor, seja para competir seja para treinar.
ALTAS ROTAÇÕES _ O problema ‘apoios’ é, a partir de agora, ainda mais preocupante para ti, já que ao completares 18 anos deixaste de poder utilizar uma moto da Federação, tendo agora que fazer avançar o teu projecto de modo independente.
DIOGO VIEIRA _ É verdade! A partir de agora tenho que ir à procura de patrocinadores, para poder adquirir as minhas próprias motos, de modo a poder disputar os campeonatos Nacionais e, tal como pretendo, efectuar o Campeonato Europeu, no qual já me poderei bater com os outros pilotos das 125cc, e, gostaria de estar presente nas provas do Campeonato do Mundo.
ALTAS ROTAÇÕES _ Dentro do Trial existe mais do que uma categoria de motos?
DIOGO VIEIRA _ Os Iniciados correm com as 50cc, depois evolui-se para as 70cc, já com embraiagem e velocidades, e depois vem a 125cc para os maiores. Para além destas existe ainda as 280/300cc, as quais competem no Europeu e no Mundial, e que são as mais difíceis de pilotar.
ALTAS ROTAÇÕES _ O teu futuro passa por aí, ou achas que ainda estás um bocado longe?
DIOGO VIEIRA _ Este ano vou continuar com as 125cc, até porque ainda não me sinto capaz de competir nas ‘zonas’ por onde andam as motos mais potentes. Quero evoluir nos resultados das provas Internacionais, principalmente no Mundial, e depois para o ano já vemos se me sinto capaz de dar o “salto” para a classe mais forte.
ALTAS ROTAÇÕES _ Uma curiosidade existente na modalidade, é o facto de vocês terem sempre uma pessoa para vos ajudar na abordagem aos obstáculos da prova, ou ao próprio percurso da prova. No teu caso particular, o teu «mochileiro» é o teu Pai. Isso dá-te maior confiança ou…
DIOGO VIEIRA _ Sim, o meu «mochileiro» nas provas Nacionais é o meu Pai, e nas provas Internacionais é o Osvaldo Garcia, porque ele não gosta de ir a essas provas. Nas provas em que sou ‘apoiado’ pelo meu Pai, regra geral, também funciona tudo bem, apesar dele às vezes ralhar um pouco mais!
ALTAS ROTAÇÕES _ Apesar da pouca divulgação da modalidade, as vossas provas têm sempre muita gente a assistir e entusiasmadas com a vossa evolução ao longo dos percursos.
DIOGO VIEIRA _ A modalidade é espectacular, com ‘zonas’ difíceis de transpor, e, quando as provas são bem divulgadas, chegamos a ter alguns milhares de espectadores presentes, seja nas provas Outdoor, seja nas provas Indoor, como foi ainda agora o caso da prova realizada na Maia. Infelizmente até as revistas da especialidade, Motos, fazem pouca divulgação do Trial, mas julgo que estamos todos a trabalhar numa evolução positiva, de modo a colmatarmos essa lacuna.
ALTAS ROTAÇÕES _ Esta época atingiste um dos teus maiores objectivos, o título de Campeão. É o teu expoente máximo, ou esse está ainda reservado para o teu futuro na modalidade?
DIOGO VIEIRA _ Se tudo tivesse corrido pelo melhor, tinha alcançado os dois títulos, pois era esse o meu objectivo para este ano. Acabei por perder a última corrida na Outdoor e falhei o título, mas consegui compensar o ano com o título na Indoor. Este ano vou dar o meu melhor para chegar aos dois títulos Nacionais e, para alcançar os melhores resultados possíveis nas provas do Europeu e do Mundial.
ALTAS ROTAÇÕES _ Para além do teu envolvimento no Trial, existe também o facto curioso da tua irmã também ser praticante da modalidade. A que tipo de cuidados e atenção extra é que essa presença te obriga?
DIOGO VIEIRA _ Sempre que posso tento ajudá-la. Como o nosso Pai é o meu «mochileiro», eu sou muitas vezes o «mochileiro» dela, até porque muitas das ‘zonas’ a percorrer são comuns aos dois e essa atenção extra até acaba por ser algo benéfica para mim. Fora das provas, e como treinamos juntos, tento apoiá-la e incentivá-la o mais possível.
ALTAS ROTAÇÕES _ E o que acha o irmão, um pouco mais velho, da sua jovem aprendiz?
DIOGO VIEIRA _ Este ano a evolução não foi tão grande como em anos anteriores mas, estou convencido que ela este ano vai treinar mais e evoluir ainda mais, até porque ela tem jeito para o Trial.
ALTAS ROTAÇÕES _ É verdade o que o Diogo está a dizer. O que é que se passou este ano Rita?
RITA VIEIRA _ Também não é assim tanto como ele diz. Este ano não tive hipótese de ir à Taça das Nações e ao Mundial, em virtude de não haver mais nenhuma rapariga a competir ao mesmo nível que eu, e isso fez com que eu treinasse menos que em anos anteriores, o que me impediu de chegar ao título na categoria em que participei.
ALTAS ROTAÇÕES _ Mesmo assim ficas em segundo na Categoria Consagrados, na qual és a única a tentar bater os rapazes.
RITA VIEIRA _ Sim, e com a agravante de serem todos mais velhos do que eu. No entanto, encaro essa diferença de modo positivo, pois assim sou obrigada a evoluir mais depressa, até porque eles são todos mais fortes e mais resistentes do que eu, dois factores importantes na modalidade.
ALTAS ROTAÇÕES _ Modalidade onde tu és praticamente o único elemento feminino.
RITA VIEIRA _ Neste momento só estou eu e a Sofia. Por vezes ainda aparece outra rapariga (Leonor), mas não realiza todo o campeonato.
ALTAS ROTAÇÕES _ E como é que tu chegas ao Trial, foste porque o teu irmão já lá andava e porque o teu Pai também é um homem das motos, ou…
RITA VIEIRA _ Desde pequenina que comecei a andar nestas coisas. O meu irmão andava no Motocross e eu andava ao lado dele num side-car. Andávamos os dois de bicicleta…e foi assim que comecei a adquirir estes hábitos, e gosto. Por isso comecei a acompanhá-lo nas corridas.
ALTAS ROTAÇÕES _ Achas que o facto de seres mulher cria maiores dificuldade à prática desta modalidade?
RITA VIEIRA _ Pessoalmente acho que não! Sinto que os homens têm mais resistência e mais força, e sei que se eu treinar mais, quer na moto, quer em ginásio, sou capaz de chegar a esses níveis.
ALTAS ROTAÇÕES _ Desde que chegaste à modalidade, tens tido algumas épocas menos participativas mas, este ano já trabalhas-te um pouco mais e estiveste perto de chegar ao título. Achas que vais conseguir alcançar a vitória?
RITA VIEIRA _ Acho que sim, e quero! Este ano creio que já melhorei o meu nível competitivo mas, vou trabalhar no sentido de ser ainda melhor, de modo a poder lutar pela vitória dos ‘Consagrados’ em todas as provas, e chegar ao final do ano com o título. Seria estupendo!
ALTAS ROTAÇÕES _ Em 2012 vais ‘herdar’ a moto que era utilizada pelo teu irmão, o que poderá, de algum modo, facilitar um pouco as coisas.
RITA VIEIRA _ Espero bem que sim. Para além disso, este ano conto poder participar no Trial das Nações e estar presente na prova do campeonato do Mundo. O nível de competição é bem maior do que cá em Portugal, o que permite aprender mais e estar melhor preparada para o Nacional. Um aspecto curioso das provas Internacionais é que lá corro directamente na prova feminina, as quais, apesar de serem quase todas mais ‘velhas’ do que eu, permite que eu tenha uma outra percepção sobre o meu ritmo e a minha competitividade.
ALTAS ROTAÇÕES _ A Federação de Motociclismo de Portugal, através da Comissão de Trial, tem a fantástica política de cedência de algumas motos para incentivar a prática da modalidade. Perante esta situação, ainda não conseguiste cativar nenhuma amiga tua a experimentar este desporto?
RITA VIEIRA _ Não, Elas gostam muito de ver e apoiam-me, mas...nunca se mostraram interessadas. Eu até já ensinei algumas delas a andar de moto mas, para competir não é só preciso saber andar de moto, ou garantir o apoio da Comissão de Trial. No meu caso, tenho o meu Pai que é um apaixonado por motos, e o meu irmão que corre desde novo, o que me garante um forte apoio da família, sem esquecer a minha Mãe que está presente em todas as provas, situação que não se verifica na maior parte dos casos, o que poderá ser impeditivo da vinda de outras raparigas.
ALTAS ROTAÇÕES _ É fácil conciliar os estudos, e o namorado, com os treinos e corridas?
RITA VIEIRA _ A escola onde ando exige muitos trabalhos, principalmente muito trabalhos manuais, e durante a semana não me é possível treinar. No entanto, aos fins-de-semana e nas férias tento dar particular atenção aos treinos com a moto, para chegar minimamente em forma às corridas.
ALTAS ROTAÇÕES _ É tempo de dar por terminada esta ‘conversa’ convosco, pelo que, deixo ao vosso critério a escolha do último «tema».
DIOGO VIEIRA _ Quero aproveitar a oportunidade para efectuar dois agradecimentos especiais. Ao Osvaldo Garcia, o ‘Pai’ da modalidade em Portugal, que nos incentivou para a prática da modalidade e que nos tem dado enorme apoio ao longo dos anos. E, ao Rui Castro, Presidente da Comissão de Trial da FMP, pelo imprescindível apoio prestado e, sem o qual não nos teria sido possível a prática da modalidade.
É difícil encerrar o “À Conversa com…Diogo e Rita Vieira”, pilotos de Gaia a quem o Jornal AUDIÊNCIA / ALTAS ROTAÇÕES tem dado o apoio possível ao longo dos últimos anos mas, vamos mesmo terminar, desejando aos «Irmãos Vieira» a melhor das sortes na temporada que se avizinha!

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Actualizado em (Segunda, 13 Fevereiro 2012 21:35)






