Palle Pedersen e Alexander Weiss, em Ginetta G4R, triunfaram na 10.ª edição das 3 Horas de Spa, naquela que foi a segunda vitória consecutiva da dupla dinamarquesa na prova que encabeçou o programa do Spa Summer Classic, no carismático Circuito de Spa-Francorchamps.
Na Bélgica, onde um fim-de-semana de Verão brindou o extenso pelotão, a dupla nórdica, ao volante do ágil carro britânico, marcou o ritmo logo desde a qualificação. No arranque, o G4R aguentou a pressão inicial do Shelby Cobra, do sempre competitivo duo alemão Vincent Kolb / Alexander Kolb, para depois se distanciar dos demais durante a corrida. Com uma estratégia próxima da perfeição e sem quaisquer erros por parte dos pilotos, Palle Pedersen e Alexander Weiss provaram, uma vez mais, que um carro pequeno e leve pode bater máquinas muito mais potentes. Também levaram para casa o troféu da subclasse H-1965 GR1.

Já a duas voltas de distância do carro vencedor, mas com uma margem confortável para o pelotão perseguidor, os britânicos Alex Taylor, David Coyne e Mark Wright, em Ford Mustang, foram segundos classificados e venceram ainda a subclasse H-1965 GR3. Recorde-se que a equipa arrancou do décimo lugar, já rodava em terceiro no final da primeira hora e ascendeu ao segundo posto no início da segunda metade da corrida.
Mais animada foi a disputa pela terceira posição, com o Shelby Cobra Daytona Coupé dos britânicos Charles Faber-Castell e Andy Newall a levar a melhor sobre o Shelby Cobra da família Kolb, com ambos os carros a lutarem até ao último metro da corrida pela terceira posição na classificação geral.
O “top-6” ficou completo com os britânicos Michael Gray e Kallum Gray, em Jaguar E-Type, e pelos luxemburgueses Patrick Wilwert e Philippe Vermast, em Lotus Elan S1, que conquistaram igualmente a subclasse H-1965 GR2.

A classe H-1971 foi dominada desde a qualificação pelos Alfa Romeo GTAm, tendo o carismático exemplar decorado com os logótipos da revista francófona “Paris Match”, da dupla francesa Grégoire e Guillaume Colinet, vencido com autoridade, após conquistar a pole position na qualificação da tarde de sábado.
Eric De Weerdt, Bert Kabergs e Geert Boels, ao volante do seu imponente Ford Mustang Boss 302, foram segundos classificados, apesar da pressão do Alfa Romeo GTAm de Björn Ebsen e Volker Hichert, que arrecadou a última posição do pódio da classe.

A comitiva portuguesa esteve particularmente bem e até conquistou um pódio numa das classes. Contudo, no habitual Porsche 911 2.3 ST, o trio composto por Piero Del Maso, Guilherme Del Maso e José Carvalhosa não conseguiu traduzir o terceiro lugar na classe H-1971 na qualificação num pódio, mas, ainda assim, a formação da Garagem João Gomes obteve um meritório quinto posto.
Ainda na mesma categoria, a dupla pai e filho Manuel e Diogo Ferrão, também em Porsche 911 2.3 ST, foi sexta classificada, enquanto os estreantes Rui Garcia e Pedro Oliveira cumpriram, com um nono lugar, o seu principal objectivo de levar o FIAT 124 Sport Coupé até à bandeira de xadrez. O trio composto por Paulo Lima, Pedro Teixeira Melo e José Paradela, em BMW 2800 CS, terminou na posição seguinte.
A classe H-1976 só ficou decidida na derradeira hora da corrida. Brice Pineau e Oliver Muytjens, num Porsche 911 3.0 RS, lideraram nos momentos iniciais, mas acabaram por desistir ao fim de cerca de duas dezenas de voltas. Wim Kuijl, Tim Kuijl e Dieter Kuijl, em Ford Capri 2600 RS, passaram então para a frente, mas uma longa paragem na última hora fê-los cair para a terceira posição, antes do abandono na última volta da corrida.

Com uma condução muito regular, Erwin van Lieshout, Armand Adriaans e Emil Adriaans, em Datsun, assumiram então a liderança da classe H-1976, aquando do primeiro atraso do Capri, levando o carro japonês a uma improvável vitória. João Santos, em estreia na pista belga, e José Carvalhosa mantiveram sempre os vencedores da classe sob pressão até à bandeira de xadrez, sendo os portugueses mais bem classificados, ao terminarem no 11.º posto da geral e ao conquistarem o segundo lugar na categoria.
O piloto brasileiro Eduardo Reis, que fez a sua estreia na competição da Race Ready, formando dupla neste fim-de-semana com os portugueses José Carvalhosa e Guilherme Del Maso, num Porsche 911 2.7 RS, foi terceiro classificado na classe, ao passo que Filipe Carvalho e António Carmona se estrearam na pista belga ao volante de um Ford Escort RS2000, alcançando o sexto lugar na H-1976, após perderem algum tempo nas boxes devido a um problema no comando da caixa de velocidades rapidamente resolvida pelos técnicos da RP Motorsport.

O duo pai e filho Alberto e Tomaz Velez-Grilo não quiseram perder a oportunidade de conduzir em Spa, embora o seu BMW 1800 TiSA não estivesse pronto a tempo da prova, tendo alinhado à partida com o seu Porsche 924 que, com o estatuto de “convidado”, resistiu à dureza da corrida, terminando no 40.º lugar da geral.
A primeira prova do ano voltou ainda a consagrar o vencedor da classificação do Index of Performance, que, nesta temporada, voltará a atribuir ao vencedor um cobiçado e exclusivo relógio da marca suíça Cuervo y Sobrinos. Marcus Fellows e Alisdair Bowie, em Austin Healey Sebring Sprite, venceram a classificação que valoriza a melhor “prestação” em função da idade, cilindrada e tipo de carro, com uma prestação de grande regularidade ao longo das 3 Horas de Spa. Na segunda posição classificaram-se Palle Pedersen e Alexander Weiss, em Ginetta, enquanto o terceiro lugar foi ocupado pela dupla portuguesa assistida pela RP Motorsport, Rui Garcia e Pedro Oliveira.
Depois da passagem pelo “Le Toboggan des Ardennes”, a caravana do Historic Endurance segue agora para o sul da Europa, onde, de 5 a 7 de Junho, se disputa mais uma edição do Jarama Classic, um dos mais vibrantes eventos de clássicos no sul da Europa.
