À corrida que teve a honra de fechar o programa do segundo dia do Algarve Classic Festival coube fazer ecoar de novo, pelo exigente traçado de Portimão, o rugido das máquinas que escreveram páginas memoráveis das corridas de resistência de outrora. Na grelha de partida perfilaram-se vinte e cinco equipas, todas elas de grande valia, ao volante de automóveis de elevado desempenho, onde só uma estratégia sem mácula, aliada à robustez mecânica das viaturas, podia conduzir a um bom resultado final.

A partida foi dada atrás do carro de segurança. Isto, porque o Chevron B8 de Robin Tuluie, com a caixa de velocidades encravada, ficou imobilizado na grelha, e o pelotão viu-se obrigado a arrancar atrás do “Safety Car” para a corrida.
Pouco depois da largada, um Alfa Romeo GT Am parado na curva 8 impôs nova neutralização. O “Safety Car” entrou para os carros finalmente darem o máximo, mas junto à primeira paragem para troca de pilotos obrigou a novo percalço, um dos muitos desta prova: o Chevron B21 do Team BIP, de Carlos Tavares, Edgar Botelho Moniz e José Forte, teve problemas que obrigaram o carro de segurança a regressar à pista.
No reinício, as posições a alternarem à medida que as paragens nas boxes foram acontecendo, os Chevron B19 de John Emberson e Billy Bellinger, vencedores da edição do ano passado, e B8 de Joel Hopwood e Oliver Bryant tomaram a dianteira. Contudo, o Chevron de Tilley e Keen, que largou da pole position, estava com um ritmo muito forte e não tardou a regressar ao primeiro lugar. A prova, porém, estava longe de ter dito a sua última palavra.
A quarenta minutos do final, um McLaren parou em plena pista e obrigou a nova entrada do “Safety Car”, embora o carro que um dia competiu na Can-Am regressou, mais tarde, à corrida. De salientar que, até aqui, a liderança tinha mudado de mãos como as cartas de um baralho. Cinco carros passaram pelo comando da prova: o Chevron B19, da Era Motorsport; o Chevron B8, da Tom Smith Racing; o Daren Mk2, da Triple R; o Chevron B19, da Foxcraft; e o Lola T70 Mk3 Coupé, da GM Automotive Engineering.

Quando o “Safety Car” abandonou a pista, a pouco mais de dezasseis minutos do fim, Tilley e Keen, autores da melhor volta da corrida, isolaram-se na frente e rumaram à vitória sem oposição, e com isso venceram a classe H-1972 under 2000cc e levaram para casa um exclusivo relógio da Briston Watches.
O Chevron laranja da Foxcraft foi o segundo a ver a bandeira de xadrez, mas John Emberson e Billy Bellinger, que o antecederam na ordem de chegada, foram relegados para o quinto lugar da geral por uma penalização devida ao incumprimento do tempo de paragem obrigatória nas boxes, o que os fez descer ao terceiro posto da classe.
Joel Hopwood e Oliver Bryant, no Chevron B8, foram os segundos classificados, e conquistaram a vitória da classe H-1969. No terceiro lugar terminaram Georg Kjallgren e Roger Wills, num Daren Mk2, uma das duas únicas unidades ainda existentes, foram os terceiros a ver a bandeira de xadrez. A dupla da Triple R, que liderou o pelotão durante quatro voltas, tivera um susto enorme: no início da corrida, o motor de arranque do protótipo deixou de colaborar e este só saiu para a pista empurrado pelos mecânicos.

Henry Stephenson e Martin Stephenson, num Ford GT40, estiveram sempre presentes na luta pela vitória na classe H-1969 e levaram o mítico carro do oval azul ao quarto lugar da geral e ao segundo da classe. O pódio da classe ficou completo com Bruno Duarte, Filipe Silva Jesus e Andy Newall, que se estrearam ao volante de um Ford GT40 e o conduziram ao décimo lugar da geral.
Na classe H-1972 over 2000cc, Marc Devis e Nick Padmore, no Lola T70 Mk3B Spyder da Britec Motorsport, venceram e terminaram em sexto da geral. A vitória parecia perdida: a quinze minutos do fim, a dupla recebeu uma penalização que lhe hipotecava o triunfo, com um “. Mas a sorte, caprichosa, voltou a girar. Na última volta, a escassas curvas do final, o Lola T70 Mk3 Coupé de João Macedo Silva e Diogo Ferrão, que vinha a subir posições, ficou imobilizado na gravilha com um problema de suspensão. Isto, não impediu os pilotos da GM Automotive Engineering de serem os melhores portugueses classificados na prova, no sétimo lugar da geral e segundo da classe.

Ao volante de um Porsche 911 3.0 RS, Brice Pineau e Olivier Muytjens, os oitavos classificados na corrida, repetiram o triunfo do ano transacto entre os carros de GT e Turismo, bisando o sucesso alcançado no ano passado nesta mesma corrida. A dupla franco-belga da HY Racing viu-se obrigada a arriscar para recuperar de uma penalização, imposta por ter recolhido às boxes antes de aberta a janela das paragens.
Patrick Wilwert e Philippe Vermast, no Alfa Romeo GT Am da Ecurie Luxembourg, foram os segundos classificados, e o Porsche 911 2.5 ST de Nuno Nunes, Guilherme dal Maso e Piero dal Maso ficou em terceiro. Curiosamente, o trio do Porsche assistido pela Garagem João Gomes chegou a rodar na frente da categoria e no quinto lugar da geral.
Ao cair do pano, na cerimónia de pódio realizada na Torre do Autódromo Internacional do Algarve, onde os vencedores de cada classe receberam um relógio Briston Watches, ficou uma certeza: a terceira edição dos 300km Algarve Sports Cars já está marcada para o próximo ano entre 29 a 31 de Outubro de 2027.
