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Wednesday, 29 April 2026 21:23

Rallye das Camélias desafia a intempérie e volta a fazer história

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Rui Madeira vence edição de 2026

Entre intempéries, ajustes de última hora e uma complexa operação logística, o Bilstein Group Rallye das Camélias 2026 foi para a estrada graças a um esforço verdadeiramente hercúleo do Clube de Motorismo de Setúbal, em estreita articulação com os municípios de Cascais, Mafra, Sintra e Torres Vedras, que, perante a adversidade, não hesitaram em unir esforços para garantir a continuidade de um evento com décadas de história.

Mais do que uma competição, esta edição afirmou-se como uma demonstração de resiliência coletiva, onde organização, autarquias, equipas e populações mostraram que o Rallye das Camélias é hoje muito mais do que um evento desportivo: é um património vivo do automobilismo nacional.

No final, o balanço não podia ser mais claro, como sublinhou Fernando Matias, presidente do Clube de Motorismo de Setúbal. “Foi muito acima daquilo que eram as nossas expectativas. Não foi fácil, depois de tantos contratempos e alterações, conseguir colocar a prova na estrada. Foi, de facto, uma tarefa hercúlea.” O responsável destacou ainda o apoio determinante de todos os envolvidos: “Nada disto seria possível sem o apoio dos patrocinadores, das câmaras municipais e, acima de tudo, das equipas, que estiveram sempre ao lado da organização e nunca deixaram de acreditar.”

Também a resposta do público e o impacto gerado não deixaram margem para dúvidas quanto ao sucesso da prova. “Estamos muito satisfeitos com aquilo que conseguimos fazer. O Rallye das Camélias acabou por ser um grande sucesso. Basta olhar para as redes sociais e perceber o feedback extremamente positivo que recebemos”, acrescentou.

Domínio de Rui Madeira numa edição exigente

Em termos desportivos, a edição de 2026 ficou marcada pelo domínio claro de Rui Madeira, navegado por Nuno Rodrigues da Silva, que impôs o seu ritmo desde cedo e não mais largou o comando da prova. Depois de um primeiro troço ganho por Gil Antunes, que chegou a liderar na fase inicial, Madeira assumiu a liderança na segunda especial e nunca mais a perdeu, vencendo seis das oito classificativas disputadas e construindo uma vantagem sólida até final.

Gil Antunes, acompanhado por Diogo Correia, rubricou uma exibição de grande nível e garantiu o segundo lugar absoluto com todo o mérito, mantendo sempre uma toada competitiva elevada e consistente ao longo do rali.

O pódio ficou completo com Carlos Fernandes e Valter Cardoso, que voltaram a demonstrar a sua competitividade ao mais alto nível, sendo os melhores entre as viaturas de quatro rodas motrizes fora da categoria Rally2. A dupla esteve sempre muito forte, venceu uma classificativa e confirmou, uma vez mais, o seu estatuto como referência da prova.

Nas duas rodas motrizes, o destaque foi para o jovem Afonso Santos, navegado por Alexandre Rodrigues, que aproveitou o Rallye das Camélias para ganhar ritmo e confiança tendo em vista a próxima ronda do Campeonato de Portugal de Ralis. O piloto da PT Racing esteve sempre rápido, eficaz e consistente aos comandos do Peugeot 208, evidenciando uma evolução muito significativa e confirmando o seu potencial.

Num rali particularmente exigente, o número de equipas que lograram chegar ao final assume especial relevância, refletindo não só a dureza do percurso, mas também o elevado nível de preparação e resiliência dos participantes.

Espetáculo dentro e fora da competição

Para além da vertente competitiva, o Rallye das Camélias voltou a afirmar-se como um verdadeiro espetáculo, dentro e fora das classificativas. A presença dos convidados internacionais Vaidotas Žala e Paulo Fiúza, vencedores do Rally Dakar na categoria de camiões, foi um dos grandes destaques, conquistando o entusiasmo do público e contribuindo de forma decisiva para a projeção mediática do evento.

Antes da sua entrada em estrada, os espectadores tiveram ainda a oportunidade de assistir à passagem de máquinas icónicas e equipas experientes que desempenham funções essenciais na estrutura de segurança da prova. Entre os momentos mais marcantes destacou-se o emblemático Audi Quattro S1 E2, conduzido por Alberto Fraga e navegado por Filipe Alvarado, numa exibição que evocou a história e a emoção do automobilismo de outros tempos.

Com um equilíbrio raro entre tradição e modernidade, superação e espetáculo, o Rallye das Camélias voltou a afirmar-se como uma referência incontornável do desporto motorizado em Portugal. E, como deixou claro Fernando Matias, o futuro já está em marcha: “Estamos já preparados para começar, no próximo mês, a trabalhar na próxima edição.”

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