A primeira temporada de Anton Morsing nos GT4 tem sido marcada por uma evolução consistente, mas também pela capacidade de lidar com as contrariedades que têm condicionado os resultados da RACAR Motorsport – AMR Partner Team. O jovem dinamarquês, que chegou aos GT depois de uma passagem pela Nordic 4, tem encontrado no Aston Martin Vantage AMR GT4 EVO e na experiência da estrutura de Odivelas o ambiente ideal para acelerar a sua aprendizagem, mantendo intacta a ambição para a segunda metade da temporada.
A mudança dos monolugares para os GT4 representou um desafio significativo, sobretudo pela diferença conceptual entre os dois tipos de carros. Ainda assim, Anton Morsing surpreendeu pela rapidez com que se adaptou às características do Aston Martin e considera que o processo foi mais natural do que inicialmente poderia esperar. “Foi uma mudança enorme, passar de um carro leve e ágil como o fórmula para uma máquina pesada como o Aston Martin. Surpreendentemente, o processo foi bastante simples. Desde o primeiro momento em que me sentei no carro senti que era aqui que pertencia em termos de carros de competição”, explica.
O piloto reconhece que houve aspectos específicos que teve de compreender e aperfeiçoar, mas a evolução foi rápida, com o trabalho desenvolvido juntamente com a equipa a assumir um papel determinante. “Claro que tivemos um ou dois pontos em que era preciso melhorar e aprender, mas nada de mais. Em Jarama consegui finalmente juntar as últimas peças do puzzle e foi fantástico. Há sempre alguma coisa para aprender sobre o carro e sobre como optimizar tudo em pista, e ainda tenho muito para evoluir, mas, com um grande coach e uma grande equipa por trás de mim, já aprendi a dominar o carro.”
A progressão tem sido particularmente evidente na compreensão da dinâmica do Aston Martin e na capacidade de Anton Morsing avaliar o seu próprio desempenho enquanto conduz. O dinamarquês considera que essa evolução da sua leitura em pista representa uma das maiores conquistas da sua primeira época nos GT4, embora reconheça que a qualificação continua a ser uma área onde pretende evoluir. “Esta temporada melhorou imenso a minha compreensão da física e do equilíbrio do carro. Comecei a perceber coisas que nem sabia que existiam no ano passado e, em pista, senti uma evolução enorme na minha capacidade de auto-avaliação. Conseguir conduzir e, ao mesmo tempo, perceber o que estou a fazer mal foi uma mudança de jogo para mim”, revela. “A qualificação sempre foi difícil para mim, conseguir entrar no ritmo de uma volta e depois estabelecer imediatamente um tempo. Em Jarama consegui fazê-lo e vou tentar perceber exactamente o que fiz de diferente para levar isso comigo e continuar a evoluir na próxima ronda”.
Outro dos factores determinantes na evolução de Anton Morsing tem sido a parceria com Mathieu Martins. O luso-francês, campeão em título do Iberian Supercars de GT e do Supercars España de GT e GT4 Pro, representa uma referência de enorme valor para um piloto que está a dar os primeiros passos nos GT4. A possibilidade de trabalhar directamente com um piloto deste nível tem permitido a Anton acelerar um processo que, de outra forma, seria necessariamente mais demorado.
“Ser colega de equipa do campeão do ano passado estabelece, desde logo, uma bitola. O facto de ele me aceitar como colega de equipa na minha época de estreia é também uma confirmação de que confia em mim o suficiente para estar ao seu lado”, considera. A utilização dos dados e a comparação directa com o trabalho do campeão têm sido fundamentais. “Ter o Mathieu como colega de equipa tem sido tudo para a minha aprendizagem. Poder utilizar os dados dele e ver exactamente o que faz o melhor piloto foi, sem dúvida, determinante para o meu desempenho e ajudou-me imenso.”
Essa aprendizagem, contudo, não é encarada por Anton Morsing como um processo unilateral. O objectivo passa por transformar rapidamente o conhecimento adquirido em performance e, dessa forma, tornar-se também uma mais-valia para o seu colega de equipa. “A única forma de poder ajudá-lo de volta é mostrar que estou a ouvir, que estou a melhorar e que consigo estar lá na frente ao lado dele”, sublinha.

A competitividade demonstrada pela RACAR Motorsport – AMR Partner Team tem permitido à dupla lutar pelas posições cimeiras, mas diversos problemas mecânicos impediram que o andamento apresentado em pista se traduzisse nos resultados esperados. Para Anton, uma das principais aprendizagens da primeira metade da época foi precisamente a necessidade de separar aquilo que está sob o controlo dos pilotos daquilo que não está. “Quando temos tanto azar, é preciso mudar um pouco o foco. É fácil, enquanto piloto, concentrarmo-nos no resultado e deixar que isso nos afecte, e eu também fiz isso esta temporada. Mas eu e o Mathieu temos de nos concentrar na nossa performance individual”, explica. O dinamarquês entende que a competitividade demonstrada permite encarar a pausa de Verão com confiança. “Podemos chegar a esta pausa sabendo que os dois estivemos a lutar pelas vitórias. Não há dúvida de que somos capazes de ter essa performance.”
Anton Morsing faz questão, contudo, de destacar que essa competitividade não é apenas resultado do trabalho dos pilotos. A dedicação da RACAR Motorsport – AMR Partner Team é, para si, uma das principais razões pelas quais a dupla consegue apresentar-se regularmente entre os mais rápidos: “mesmo sendo nós os pilotos que estão em pista, temos de pensar na equipa que está atrás de nós. A RACAR é uma equipa com uma paixão enorme por este projecto e uma dedicação extraordinária. Nos últimos dois fins-de-semana de corrida ficaram todos os dias a trabalhar até às quatro da manhã apenas para preparar o carro e, depois, quando saímos para a pista, fazem tudo novamente”.
A atitude da estrutura de Odivelas reforça, para o jovem piloto, a responsabilidade de corresponder em pista. “Não consigo explicar o quanto valorizo estas pessoas. São elas que permitem que eu e o Mathieu tenhamos o desempenho que temos em pista”, afirma. É também neste contexto que Anton destaca a importância da disciplina mental para ultrapassar contrariedades. “Claro que existe sempre motivação para voltar à pista, com ou sem azar, mas ter disciplina e capacidade para ir para o hotel no sábado frustrado e regressar no domingo com uma mentalidade fresca e clara pode fazer toda a diferença quando acontecem coisas que estão fora do nosso controlo”.
Para a segunda metade da temporada, a abordagem será, por isso, de continuidade. Anton Morsing não pretende alterar o processo de evolução que tem seguido desde o início do ano, mas sabe que, depois de vários abandonos, será fundamental transformar a competitividade em resultados. “Vou continuar a fazer aquilo que é o meu trabalho, melhorar e conduzir da melhor forma que conseguir. Os meus objectivos não mudaram. Naturalmente, temos de ter em conta que já tivemos vários abandonos esta temporada e não podemos ter mais, por isso vamos manter isso presente quando estivermos a competir”, sublinhou.
A ambição, contudo, mantém-se elevada. “Com aquilo que o nosso carro mostrou nestas primeiras duas rondas, vamos claramente apontar aos lugares cimeiros do pódio no resto da temporada”, garante. Mais do que estabelecer metas pessoais ou resultados específicos, o dinamarquês prefere avaliar o seu primeiro ano nos GT4 pelo crescimento que conseguir alcançar e pelo prazer de competir. “Pessoalmente, não tenho expectativas específicas para mim nem uma lista de coisas que tenha de cumprir para considerar esta uma temporada bem-sucedida. Claro que queremos ter bons resultados, mas temos de nos lembrar porque estamos aqui, pelo amor ao desporto. Se perdermos isso, então que importância tem ganhar?”, questiona.
E é precisamente essa combinação entre ambição, aprendizagem e prazer de competir que define a abordagem de Anton Morsing para a segunda metade da temporada: “o meu objectivo é desfrutar desta época, dar o meu melhor e ver até onde isso nos leva”.
