O regresso de Nuno Pires ao principal campeonato ibérico, depois de uma temporada de ausência, tem, para já, um balanço muito positivo. Aos comandos do Toyota GR Supra GT4 EVO2 da formação de Aveiro, o piloto voltou a encontrar um campeonato extremamente competitivo e uma oposição forte, ainda assim, tem-se imiscuído, com o seu colega de equipa, na luta pelos triunfos da divisão GT4 Pro-Bronze, tendo já conquistado uma vitória, em Jarama.
Nuno Pires já conhecia bem a competição, depois de ter sido vice-campeão do Supercars Endurance em 2023, temporada em que levou a luta pelo título até à última corrida. Ainda assim, o regresso trouxe novos desafios, desde logo pela evolução do campeonato e pela nova especificação de pneus. “O campeonato está bastante competitivo, com os dez primeiros dentro do mesmo segundo. Sinto que tenho uma base competitiva, contudo, a paragem traz uma falta de ritmo e consistência, pelo que estou algumas décimas abaixo de onde pretendia estar. Um dos desafios para mim este ano tem sido esta nova especificação de pneus face a 2024 que, por falta de ritmo, tem tido um impacto maior nas qualificações. Espero conseguir colmatar isso já em Valência”, explica.
Apesar desse período natural de readaptação, o piloto do Porto encontrou rapidamente condições para voltar a discutir posições de destaque, beneficiando também da solidez da estrutura que o recebeu. A competitividade demonstrada pela Batina Racing tem permitido transformar o ritmo do Toyota numa presença regular entre os protagonistas da divisão, com a equipa a revelar também capacidade para se aproximar dos lugares de destaque à geral.
Para Nuno Pires, esse desempenho resulta de um trabalho colectivo em que a componente humana e técnica assume particular importância. “Nesta competição não é só a performance dos pilotos que é importante. A equipa Batina Racing está bastante sólida nas boxes e tenho um companheiro bastante rápido, o que ajuda a ter um foco na melhoria do meu ritmo e da minha performance”, sublinha, reconhecendo o papel de Orlando Batina e de toda a estrutura no seu processo de readaptação.
A relação com o seu colega de equipa foi, por isso, outro dos aspectos determinantes neste regresso. Apesar de a dupla ter sido formada apenas no início da temporada, a adaptação entre os dois pilotos foi rápida, assente numa filosofia de trabalho comum e numa forma semelhante de encarar a competição. A própria identidade da Batina Racing contribuiu para essa integração, numa estrutura que tem vindo a afirmar-se no panorama ibérico dos GT.
“A Batina Racing foi construída numa base muito forte de humildade, aprendizagem, trabalho, construção e dedicação. Essa é a minha maneira de estar e, dessa forma, a relação e o entendimento têm sido bastante simples, como deve ser”, considera o piloto, destacando uma sintonia que se estende para lá da pista e facilita todo o processo de preparação de um fim-de-semana de competição.
Num campeonato em que a competitividade obriga a procurar ganhos mínimos em cada área, Nuno Pires reconhece igualmente a importância crescente do trabalho de preparação e análise. A evolução dos circuitos ao longo dos fins-de-semana, a interpretação do Balance of Performance, a gestão dos pneus e, sobretudo, a leitura dos dados e da telemetria são hoje elementos indispensáveis para transformar pequenas vantagens em resultados. “O Supercars 2026 tem-se demonstrado bastante equilibrado e competitivo. As equipas já têm um conhecimento bastante elevado e maduro dos circuitos, o que se traduz na performance. Vemos, por exemplo, pilotos de outras competições, como das GT4 European Series ou do ADAC GT4 Germany, com todo o respeito, a enfrentarem os mesmos desafios que todos os demais. Como disse no início, qualquer décimo é importante, daí que o estudo e trabalho das nossas afinações, a evolução da pista durante o fim-de-semana e a telemetria sejam fundamentais”, explica.
Com uma parte importante da temporada ainda pela frente, o objectivo de Nuno Pires mantém-se claramente definido. O vice-campeão de 2023 regressou ao campeonato para lutar pelos lugares da frente e assume sem reservas a ambição de voltar a discutir o título, desta feita na GT4 Pro-Bronze, sabendo que a consistência e a evolução da performance serão determinantes.
“O nosso objectivo é a vitória no Iberian Supercars. Sabemos que temos de continuar a trabalhar na nossa performance e consistência e estamos empenhados nesse sentido. Quero deixar um agradecimento à minha família, que me tem apoiado de forma fundamental, à Batina Racing e à Autoworks Motorsport pela abertura, recepção e dedicação, e aos patrocinadores por fazerem este sonho possível”, conclui Nuno Pires.
