A quarta etapa do Supercars Endurance, disputada no Circuit Ricardo Tormo, foi marcada por uma enorme competitividade na GT4 Pro-Bronze e por alguns contratempos que impediram a formação de Aveiro de transformar o seu ritmo em resultados ainda mais expressivos.
Desde cedo que o Toyota GR Supra GT4 EVO2 da equipa mostrou capacidade para acompanhar o grupo da frente no traçado valenciano, como se verificou nas qualificações. Nuno Pires garantiu o terceiro lugar da GT4 Pro-Bronze na primeira sessão, enquanto Orlando Batina foi quinto na segunda. A competitividade ficou particularmente evidente na primeira, com os onze primeiros classificados separados por menos de um segundo, confirmando o reduzido espaço para erros numa grelha extremamente equilibrada.
Face a estes resultados, as expectativas de uma prestação forte nas duas corridas eram elevadas. Contudo, a primeira prova acabaria por ficar marcada por uma gestão menos eficaz dos limites de pista, que resultou numa penalização e condicionou o resultado final, com a dupla a terminar no quinto posto.
Nuno Pires reconhece que a equipa não conseguiu tirar partido do trabalho desenvolvido durante a pausa de Verão, embora sublinhe que as evoluções introduzidas no Toyota confirmaram o potencial esperado. “Em termos das evoluções e do trabalho de preparação que fizemos durante a pausa de Verão, sentimos uma grande evolução. O pacote de performance que conseguimos implementar foi bastante positivo e esse é, provavelmente, um dos grandes pontos positivos do fim-de-semana”, começou por explicar.
Orlando Batina, porém, assume que a primeira corrida ficou comprometida por um erro da própria equipa na gestão dos limites de pista, agravado pelo atraso na informação disponível durante a prova. “Na primeira, poderíamos ter ficado no pódio, mas não gerimos bem os ‘track-limits’ e o atraso na informação que recebemos não nos ajudou a corrigir a situação atempadamente, o que nos atirou para o quinto posto.”

Na segunda corrida, a Batina Racing estava, de facto, em posição de discutir a vitória. O Toyota apresentava um andamento competitivo, mas um problema técnico na caixa de velocidades, provocado pelo desprendimento de um tubo, deixou o componente a funcionar de forma deficiente e condicionou o andamento do carro. Apesar da adversidade, a equipa conseguiu encontrar uma solução que permitiu a Nuno Pires e Orlando Batina prosseguirem até ao final, assegurando um importante segundo lugar.
“Infelizmente, na segunda corrida tivemos um problema mecânico. Tivemos sorte em terminar, porque conseguimos improvisar uma solução que nos permitiu continuar”, explicou Nuno Pires, que faz um balanço positivo da competitividade demonstrada face aos principais adversários na luta pelo campeonato.
Apesar dos pontos perdidos em Valência, o resultado permite à Batina Racing manter-se plenamente envolvida na discussão do título da GT4 Pro-Bronze. “Em termos de campeonato, acabámos por não perder tantos pontos como poderíamos. Perdemos cerca de doze pontos, por isso continuamos na luta e estamos focados. Vamos tentar não repetir os erros que cometemos este fim-de-semana. Ficámos, sobretudo, muito contentes com a nossa performance face aos concorrentes directos, que, felizmente, são todos Toyota”, sublinhou Nuno Pires.
O piloto deixou ainda uma nota sobre o equilíbrio de performance entre as diferentes marcas presentes em Valência, salientando uma diferença particularmente significativa face a alguns adversários. “Compreendo que há pistas onde um carro ou outro estão mais fortes. Nesta, o único ‘outlier’ que vi foi o Aston Martin. Não era propriamente um concorrente directo na nossa luta pelo campeonato, já que estamos na categoria Pro-Bronze, mas sentimos uma diferença muito grande em relação ao Aston este fim-de-semana”, acrescentou.
Para Orlando Batina, o fim-de-semana ficou inevitavelmente marcado pela frustração de não ter conseguido transformar a competitividade demonstrada em pista num resultado ainda mais forte. Ainda assim, o piloto de Aveiro destaca como principal aspecto positivo a confirmação de que os desenvolvimentos introduzidos durante a pausa de Verão produziram o efeito pretendido. “Foi um fim-de-semana difícil! Confirmámos que os desenvolvimentos que realizámos deram o resultado que ambicionávamos e isso foi o mais importante de todo o fim-de-semana.”, resumiu Orlando Batina.
Apesar do desapontamento, Orlando Batina terminou o fim-de-semana com confiança renovada para as duas últimas etapas da temporada. “Foi um evento frustrante, poderíamos ter vencido a segunda corrida sem o problema técnico e garantir um pódio na segunda sem as penalizações, mas deixei Valência optimista, uma vez que continuamos na luta pelo título e creio que, com os desenvolvimentos que confirmámos em Valência, vamos para as duas etapas finais mais fortes e decididos em aprender com os erros que cometemos no passado fim-de-semana.”
A próxima etapa do Supercars Endurance realiza-se no Circuito de Jerez, entre 6 e 8 de Novembro, que contará para o Iberian Supercars, Campeonato de Portugal de Velocidade e Campeonato de España de Supercars.
