Com uma fabulosa grelha de 27 protótipos, GT e Turismos, a segunda edição dos 300km Algarve Sports Cars promete ser o grande cartaz do Algarve Classic Festival, que leva o Autódromo Internacional do Algarve a viver, entre 30 de Outubro e 1 de Novembro, um fim de semana de pura nostalgia sobre rodas.
Num fim-de-semana em que o som inconfundível dos motores clássicos voltará a ecoar pelo imponente circuito de Portimão, a corrida principal do programa promete conjugar espectáculo, competitividade e nostalgia. Disputada ao longo de 120 minutos, ou 300 quilómetros, a prova incluirá paragens obrigatórias para reabastecimento e troca de pilotos, e está aberta a sportscars construídos entre 1963 e 1972, bem como a modelos GT e Turismos produzidos entre 1966 e 1980.
A edição de 2025 foi conquistada pelos britânicos John Emberson e James Bellinger, ao volante de um Chevron B19, que superaram João Macedo Silva e José Monroy, num Lola T70 Mk3 Coupé. O terceiro lugar absoluto coube a Joel Hopwood e Nigel Greensall, num Chevron B8, dupla que arrecadou igualmente a vitória na classe H-1969. Os três carros marcarão presença na edição deste ano, com a mesma ambição e vontade de conquistar o troféu e o relógio oferecido pelo patrocinador Briston Watches ao vencedor da corrida.

Perfeita homenagem à Golden Age of Motorsport
Numa grelha de partida de encher o olho, a categoria H-1972 até 2000 cc é a mais numerosa, com dez carros inscritos, e conta com uma forte presença dos protótipos da Chevron e da Lola, duas marcas britânicas que estão intimamente ligadas ao desporto motorizado nacional e do ultramar.
Além do B19 dos vencedores do ano passado, John Emberson e James Bellinger, Kyle Tilley e Phil Keen guiarão um carro idêntico, que em 2025 andou nos lugares cimeiros e fez a melhor volta da corrida em 1:52.225. Alan Purbrick e David Brise, Robin Ellis e Andy Wolfe, e Paul Cope e John Sheldon, este último piloto no tempo do Grupo C, estarão ao volante de outros três exemplares inscritos.
O sexto Chevron da classe é um B21, um automóvel com uma história além fronteiras, que passou por Angola e Portugal e ostenta as cores do Team BIP. Na “montanha-russa” de Portimão, o carro com que Carlos Gaspar alcançou o terceiro lugar da Rampa da Penha de 1972 será partilhado pelo quarteto constituído por Carlos Tavares, Edgar Botelho Moniz, José Forte e Frédéric da Rocha.
Se a marca fundada pelo autodidata Derek Bennett conta com seis carros nesta classe, a criada pelo rival da época, Eric Broadley, conta com três exemplares: dois T290, o modelo que fez a pole position em 2025, e um T212. Nicholas Topliss e James Topliss partilham um Lola T290, enquanto Alex Collins e Martin Stretton, tri-campeão da FIA Historic F1 Championship, alinham com um carro igual. A grelha fica completa com James Claridge e James Denty, ao volante do mesmo Lola T212 que competiu nas 24 Horas de Le Mans de 1971, pilotado por Guy Edwards e Roger Enever.
Mas a variedade da classe não fica por aqui, pois inscrito está também o Daren Mk 2 de 1970, valente máquina confiada ao volante de Georg Kjallgren. Das oficinas britânicas saíram, entre 1968 e 1972, apenas oito unidades deste protótipo, movido por um motor Cosworth FVA de 1600 cc, e dessas só dois exemplares resistiram à passagem do tempo, ambos hoje entregues aos cuidados da Triple R Restoration, de Richard Doe.
A categoria H-1972 acima de 2000 cc reúne quatro espectaculares Lola T70 inscritos no evento. Além do Mk3 Coupé com que João Macedo Silva dividirá desta vez com Diogo Ferrão, David Kelly e Stephen Doyle partilham um Lola T70 Mk3B, preparado pela Gary Dunlop Motorsport, enquanto Bruno Pereira, Charlie Hyett e Michel Speyer alinham com outro Mk3B, inscrito pela Pegasus Classic Engineering, que na edição passada lutou pelo triunfo até uma avaria mecânica travar a sua marcha. O último T70 é ainda mais raro, pois é um Mk3B Spyder, um dos quatro originalmente construídos. Este Lola muito especial será conduzido por Marc Devis e Nick Padmore, dois pilotos com enorme experiência neste tipo de competições. Padmore é conhecido do público português pelas vitórias ao volante de Lotus no Classic GP para carros de F1 anteriores a 1986, no Estoril Classics.
Na categoria H-1969, os seis inscritos evocam uma das épocas mais marcantes das corridas de resistência. Vencedores da classe na edição passada, Joel Hopwood e Oliver Bryant partilham o mesmo Chevron B8, ao passo que Robin Tuluie fez a sua estreia com o seu exemplar a solo. Bernard Foley e Lewis Dunlop repetem a presença no Crossle 9S, um pequeno protótipo nascido nas garagens de Holywood, perto de Belfast, na Irlanda do Norte, e que foi segundo da classe.
Depois do pódio alcançado na edição anterior, Richard McAlpine e Nigel Greensall voltam a pôr em pista o McLaren M1b de 1965, um protótipo movido por um V8 de 5700 cc, que Bruce McLaren concebeu para a sua investida na Canadian-American Challenge Cup, a célebre Can-Am.
Que seria de uma prova desta natureza sem um Ford GT40? Pois lá está ele na H-1969, a ostentar a oval azul. Bruno Duarte e Filipe Silva Jesus, figuras habituais do Historic Endurance, estreiam-se ao volante de um GT40, escudados na experiência de Andy Newall. Henry e Martin Stephenson, pilotos calejados em provas de clássicos, lançam-se na luta com outro GT40.

GT/TC: Raiz e tradição
Mas nem só de protótipos vive esta grelha, pois a raiz das corridas de endurance está nas batalhas de carros de diferentes classes travadas dentro de pista. Sete máquinas, sete escolas do Turismo e do Grande Turismo: é o que a classe GT/TC põe em pista, nas mãos de pilotos que as pistas ibéricas conhecem bem, tantas foram as vezes que se bateram nas provas do Iberian Historic Endurance. Para realçar o papel dos Turismos e GT nesta apaixonante prova de resistência, a Briston Watches oferecerá igualmente um relógio ao primeiro classificado de uma classe que, no seu tempo, sempre correu lado a lado com os protótipos.
Os francófonos Olivier Muytjens e Brice Pineau, vencedores da classe nos 300km do ano passado, alinharão com o mesmo e competitivo Porsche 911 3.0 RS, preparado pela equipa belga HY Racing, que, pelo historial, se apresenta como o natural favorito.
Ralf Schnitzler e Patrice Campillo guiam um Datsun 240Z, que este ano correu nos 300 km de Paul Ricard. Apesar da história deste modelo nos remeter aos ralis, a realidade é que o carro japonês participou em todas grandes clássicas de resistência do planeta: Le Mans, Sebring e Daytona. Tal como ao “Z”, a Garagem João Gomes prestará assistência também ao Porsche 924 partilhado por António Reis e José Carvalhosa e ao 911 2.5 ST que a dupla de pai e filho, Piero e Guilherme Dal Maso, dividirá com Marco Nunes.
Para gáudio os aficionados dos carros americanos, surgirá o imponente Shelby Mustang GT350, uma máquina com um motor de 4700 cc que o Shelby Mustang GT350R Team entregará a Ernesto Silva Vieira e António Paquete. Fecham a lista de inscritos os dois bólides da Ecurie Luxembourg: um BMW 2002, nas mãos de Michel Welter e Felix Feltes, e um Alfa Romeo GT Am, confiado a Patrick Wilwert e Philippe Vermast, os vencedores da subclasse H-1965 GR2 nas 3 Horas de Spa do Historic Endurance em Abril.
Como assistir:
Durante o fim-de-semana, o Algarve Classic Festival convida o público a uma viagem pela história do automobilismo, congregando máquinas de várias épocas num ambiente de saudade e ao som inconfundível dos motores de outrora.
A entrada é livre dos 3 aos 16 anos. Os bilhetes encontram-se à venda no site oficial do evento, em algarveclassicfestival.org, em várias modalidades à escolha: o bilhete «Bancada Principal» dá direito à bancada principal; o «Paddock» abrange, além desta, o acesso ao paddock; e o bilhete «Torre VIP» franqueia ainda as portas da Torre VIP, com entrada no paddock e na bancada principal.
Com os treinos de qualificação marcados para as 16h40 de sexta-feira, 30 de Outubro, a grande prova, os 300km Algarve Sports Car, fica reservada para o fim da tarde de sábado, 31 de Outubro. A corrida chegará ao fim já depois de o sol se pôr, oferecendo uma imagem inesquecível dos carros em pista, alumiados apenas pelos seus faróis, como nas grandes provas de resistência de outrora.


