Ao volante do emblemático Mitsubishi Lancer EVO III, Rui Madeira entrou na prova com ambição assumida de lutar pela vitória, objetivo que começou desde cedo a ganhar forma com uma entrada de enorme autoridade no rali. A dupla portuguesa venceu as duas classificativas da primeira etapa, deixando clara a competitividade do conjunto numa edição particularmente forte e exigente.
“O RallySpirit 2026 é uma prova que tem um ambiente fantástico entre participantes, o que nos motiva para estarmos sempre presentes. Este ano, tínhamos a ambição de vencer a prova, visto que em anos anteriores tínhamos estado no pódio”, começa por sublinhar Rui Madeira. A forma como a dupla se apresentou desde os primeiros quilómetros reforçou essa candidatura ao triunfo: “Entrámos bem na primeira etapa do rali, vencendo as duas classificativas da primeira etapa com uma margem confortável, mesmo para os concorrentes do grupo extra”.

O comportamento do Mitsubishi foi outro dos grandes trunfos ao longo da prova, oferecendo a Rui Madeira confiança plena para atacar e explorar todo o potencial do carro:
“De facto, o Mitsubishi Evo III estava perfeito a nível de performance e alinhamento, o que nos transmitiu total confiança no trabalho da nossa equipa”. Foi precisamente essa sintonia entre piloto, navegadora, carro e equipa que permitiu à dupla andar a um nível particularmente elevado também na segunda etapa: “Por esse motivo, na segunda etapa deu particularmente prazer andar depressa até à quinta classificativa”.
Mas quando tudo indicava que a luta pela vitória seguiria bem viva até final, surgiu um golpe inesperado e raro na longa carreira do piloto: “Um imprevisto sucedeu: furámos dois pneus, algo que nunca me tinha acontecido durante estes anos de carreira”. O contratempo afastou Rui e Paula Madeira da discussão direta pelo triunfo, obrigando ao recurso ao super rali. Ainda assim, longe de baixar os braços, a dupla respondeu da melhor forma, regressando à estrada com a mesma determinação e recuperando até ao terceiro lugar final.
“Assim, restou-nos voltar no super rali e lutar pelo pódio, o que veio a acontecer. Foi talvez o dia em que andámos mais rápido com esta viatura”, assinala Rui Madeira, numa frase que traduz bem a força da resposta dada depois do azar. No final, o piloto fez questão de agradecer a todos os que contribuíram para uma prestação tão forte, apesar do desfecho ter ficado aquém do sonho da vitória: “Quero agradecer à equipa M Pro e à minha esposa e navegadora pelo excelente desempenho e motivação ao longo destas três etapas”.
Também Paula Madeira resumiu a participação num tom emotivo, valorizando a experiência vivida e o nível competitivo alcançado com uma máquina de 31 anos: “Foi um orgulho navegar o meu piloto preferido e andar tão depressa com uma viatura com 31 anos. Nunca pensei ser possível fazermos os tempos que fizemos”. A navegadora reconhece que a dupla deixa Barcelos com sentimentos mistos, mas sem qualquer dúvida quanto ao valor da prestação realizada: “Saímos de Barcelos com o dever cumprido, pois um imprevisto retirou-nos a possibilidade de alcançar um sonho que sempre ambicionámos, a conquista da vitória que por três vezes nos foge”.
Ainda assim, Paula Madeira sublinha o espírito de superação que marcou toda a participação e a satisfação legítima pelo pódio alcançado: “Foi uma prova de superação e não poderíamos deixar de agradecer a toda a equipa o profissionalismo e a motivação que nos transmitiu em todas as etapas do rali. Independentemente de tudo, ficámos bastante satisfeitos pela conquista do terceiro lugar”.
Com uma prestação em que houve velocidade, liderança, espetáculo e uma resposta notável à adversidade, Rui Madeira e Paula Madeira voltaram a deixar uma marca muito forte no RallySpirit 2026. Depois de Barcelos, as atenções viram-se agora para a próxima participação da dupla, agendada para a Guarda Racing Days, onde Rui Madeira e Paula Madeira procurarão voltar a transformar paixão, experiência e competitividade em mais um resultado de relevo.


