O triunfo da dupla da HY Racing tornou-se ainda mais meritório tendo em conta o início atribulado do fim de semana. Um problema mecânico no seu habitual Ford GT40, durante a qualificação, inviabilizou a utilização do emblemático modelo britânico, obrigando a equipa a recorrer ao Shelby Cobra Daytona de reserva. Sem qualquer volta realizada com o carro americano ao longo do fim de semana e partindo do fundo da grelha, Muytjens e Pineau protagonizaram uma recuperação notável que culminou numa vitória tão sofrida quanto merecida.

No arranque, partindo da pole-position, foram Jac Meeuwissen e Ties Meeuwissen, ao volante do Ford Mustang, a assumir o comando da prova, seguidos de perto pelo Lotus Seven de João Mira Gomes e Nuno Afoito, que largou ao seu lado. A dupla holandesa manteve a liderança nas primeiras voltas, mas, à terceira passagem pela meta, o Shelby Cobra Daytona da HY Racing consumou uma recuperação fulgurante e ascendeu ao primeiro lugar.

A liderança, contudo, esteve longe de ser definitiva. As primeiras paragens nas boxes e diferentes estratégias de corrida voltaram a baralhar as contas, enquanto os dois carros da primeira linha da grelha perdiam terreno. Grégoire Colinet e Guillaume Colinet aproveitaram a oportunidade para colocar o histórico Alfa Romeo GTAm na frente da corrida. O comando passou, pouco depois, para o Porsche 911 2.5 ST de Piero Dal Maso, Guilherme Dal Maso e José Carvalhosa, protagonistas de uma corrida irrepreensível e, simultaneamente, envolvidos num intenso duelo com o Alfa Romeo pela supremacia na categoria H-1971.
Com diferentes estratégias de abastecimento, mudanças de pilotos e até intervenções do Safety Car, a classificação foi sofrendo sucessivas alterações. Quando o Porsche da Garagem João Gomes perdeu algum tempo na 28.ª volta para reabastecer, outro automóvel da equipa, o Porsche 911 3.0 RS de Eduardo Reis e José Carvalhosa, assumiu provisoriamente a liderança absoluta, depois de já dominar autoritariamente a classe H-1976. Pouco depois, quando o Porsche verde parou nas boxes, o Alfa Romeo GTAm, decorado com as emblemáticas cores da revista Paris Match, recuperava o primeiro lugar, dando início a uma das fases mais espetaculares da corrida.

Durante cerca de dez voltas, Alfa Romeo e Porsche alternaram sucessivamente na liderança, proporcionando um duelo de elevada intensidade que prendeu a atenção presentes no histórico e igualmente moderno circuito do sul de França.
Ultrapassado o meio da prova, Olivier Muytjens e Brice Pineau voltaram a impor o ritmo do Shelby Cobra Daytona e recuperaram a liderança. Ainda assim, a corrida reservava mais uma mudança no comando, quando Paul O'Reilly e Peter Young, ao volante do Lotus Elite S1, lideraram durante sete voltas graças a uma estratégia distinta. Porém, na derradeira hora, o Shelby Cobra Daytona revelou um andamento impossível de acompanhar pelos adversários e consolidou definitivamente a primeira posição, cruzando a linha de meta como vencedor absoluto e também da categoria H-1965.

A luta pelos restantes lugares do pódio foi igualmente animada. Grégoire Colinet e Guillaume Colinet terminaram na segunda posição da geral, resultado que lhes garantiu o triunfo na classe H-1971, depois de um duelo renhido com o Porsche 911 2.5 ST de Piero Dal Maso, Guilherme Dal Maso e José Carvalhosa, terceiros classificados da geral e segundos da categoria.
Na H-1976, Eduardo Reis e José Carvalhosa realizaram uma prova extremamente consistente, gerindo sempre o andamento e o tráfego com inteligência para conquistarem uma vitória indiscutível. O Datsun 240Z Grupo 4 de Ralf Schnitzler e Patrice Campillo terminou na segunda posição da classe, enquanto Filipe Carvalho, António Carmona e Pedro Ramos levaram o Ford Escort Mk2 RS2000 ao terceiro lugar, numa prova que não lhes foi fácil.

Também a categoria GTP & SC proporcionou um dos momentos altos da corrida. O Lotus Seven de João Mira Gomes e Nuno Afoito e o Lotus 23B do quarteto francês formado por Xavier Rascagneres, Jérôme Peyrat, Didier Mantz e Régis Prevost protagonizaram uma batalha praticamente ininterrupto nas vinte voltas finais. No final das três horas de competição, os dois automóveis ficaram separados por pouco mais de dois segundos, a favor da dupla portuguesa, espelhando o equilíbrio que marcou toda a prova.
No final do dia, Paul O'Reilly e Peter Young tiveram motivos redobrados para celebrar. Além do segundo lugar na categoria H-1965, a dupla britânica conquistou o prestigiado Index of Performance, arrecadando o exclusivo relógio Cuervo y Sobrinos reservado ao vencedor desta classificação. Olivier Muytjens e Brice Pineau terminaram na segunda posição do índice, enquanto Piero Dal Maso, Guilherme Dal Maso e José Carvalhosa completaram este pódio e mantiveram-se na frente da classificação anual do “1000 km Trophy”.
Concluída a estreia dos 400 km de Paul Ricard, o Historic Endurance entra agora na habitual pausa de Verão, regressando de 18 a 20 de Setembro para um dos pontos altos da temporada, com a tradicional corrida integrada no programa do Estoril Classics, no Autódromo do Estoril.


